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DJ Sound quer saber sobre a cena local de drum'n bass - 23.01.03
por DaNa
originalmente publicada em www.poavibe.com.br

A coluna sobre drum'n bass da DJ Sound, cuja circulação aqui em Porto Alegre é restrita a algumas poucas bancas, procurou a minha colaboração sobre a festa de drum'n bass SUPERQUINTA. O editor da coluna, Neg Head, pediu algumas linhas escritas e notícias periódicas.

A próxima revista sai mês que vem, mas você confere aqui no Poavibe com exclusividade o texto que entreguei ainda hoje de manhã. Tem a minha apresentação, um resumo do que vou falar e um pequeno histórico sobre o cara que me ajuda na SUPERQUINTA, o Nando Barth.

A redação foi feita numa madrugada chuvosa de Porto Alegre, em meio ao Fórum Social Mundial. Talvez o editor corte alguma coisa, talvez não. Mas aqui você tem tudinho, tudinho!

Um abraço,
DaNa

O drumba em Porto Alegre

Porto Alegre possui uma peculiaridade em relação aos outros Estados brasileiros e, até mesmo, com a história do drum'n bass mundial. O público que freqüenta as festas desse gênero, não é o de periferia, nem do movimento negro da cidade. O drum'n bass está relativamente relacionado aqui com jovens de classe média, que freqüentam faculdade e que tem um background cultural bem legal. Portanto, além de dançarem esse estilo, posso dizer que eles vivenciam a "cultura" drum'n bass. Não se espanta em ver em festas de drumba jornalistas, cineastas e publicitários.

A nossa lista de djs de drum'n bass é bem restrita. Contamos nos dedos da mão os DJs de drum'n bass da cidade: Nando Barth, Navarro, Carlos NC, Krás, os ORGANIZERS (produtores), Fidel, Cássio Portuga e Luciano Peixoto. A maioria tem em sua história ligada a música eletrônica há pouco tempo, outros não.

Mas vamos desenrolando a atual cena de drumba da capital dos gaúchos aos poucos, que há ainda muita história pra contar. E tentar entender o aumento notável do hip hop e um pouco de preconceito desse nicho em relação à música eletrônica e da própria cena eletrônica de Porto Alegre, que desdenha o dnb muitas vezes. Temos Quartas Quebradas que deram muito certo uma certa época, temos a Subgrave que há 4 meses quinzenalmente fez história no club Neo, temos os ORGANIZERS que produzem pra comerciais publicitários aqui do Sul, e dançamos na SUPERQUINTA DRUMBASS que bombou na última edição.

O produtor e DJ Nando Barth

Nando Barth é o cara que faz a parte técnica da SUPERQUINTA DRUMBASS, além de ser o DJ residente. E nele, eu confio. Seus quase dois metros de altura podem assustar de primeira, mas seu histórico como músico e produtor não escondem a seriedade e profissionalismo de uma pessoa que dedica-se há dez anos pela música eletrônica em Porto Alegre.

Ele vem se estruturando no mercado gaúcho mais rapidamente que os outros DJs. Assinou contrato com a Pontocom Records, a única gravadora de música eletrônica daqui do Sul. Participa de quatro compilações que ela lançou, incluindo Identidade Eletrônica 1 e 2, DJ Hits e BPM - do programa de música eletrônica do Beto Dj na FM. "A Pontocom Records me deu carta branca para fazer e produzir o que quisesse, da maneira que eu acho certo. Tem coisa melhor que isso?" - argumenta Nando, sobre sua escolha a respeito do selo que está preparando o seu primeiro vinil.

Como produtor, Nando trabalha em seu home-studio no Centro da capital. Ele produz à maneitra antiga, em MIDI. "Tenho pavor daqueles programinhas que fazem música apertando botão, nisso sou antigo. Os grandes produtores como Moby e o Fat Boy Slim não abandonam o MIDI. Por que vou largar algo que domino para um software que está na moda?". E Nando conclui: "Acabo mexendo em certos pontos da música que outros softwares de computador não tem acesso".

Pintou curiosidade? Ele tem um site próprio com toda a sua história - desde a Spleen, banda que montou no início dos anos 90, até o drum'n bass. Visita lá: www.nandobarth.com.

"Depois que uns dos integrantes da Spleen foi morar em Sampa - o Otávio - nós resolvemos dar um tempo. Separamos o equipamento e resolvi montar um estúdio na minha casa. Como faltou muita coisa, tive que adquirir outros equipamentos para deixar do jeito que eu queria. A partir daí, fiquei um ano estudando a mexer no equipamento novo e retomando o pique. Compor é igual a compor num instrumento acústico, você desaprende a prática. Quando me senti seguro, entreguei as músicas que gostava à Pontocom. O que eu tenho implicância coloco no meu site dizendo que são músicas lado B para as pessoas ouvirem. "

O drumba apareceu na vida dele em 2000, quando viu o DJ Patife tocando. Ele fez um revival da vida de Nando desde seus 15 anos até hoje, na maneira, no estilo e na perfeição que ele tocou. Como Nando queria comprar um toca-discos para samplear as músicas, acabou aparecendo na mão dele dois MKs de barbada e não teve outra: ele teve que se entupir de vinis e dívidas por não conseguir parar de comprar discos. Depois que voltou a ser DJ, ele conseguiu editar muito melhor e ter outra visão na hora de trabalhar as músicas. "Agora eu sei muito bem o que um dj precisa na hora da mixagem" conclui Nando.

Nando foi DJ há dez anos atrás. Começou em 88 no bar Ocidente, junto com Eduardo Herrera. Em 92, largou tudo para compor música eletrônica com a Spleen, sendo um dos primeiros a desbravar essa função no Rio Grande do Sul.

"Como tenho 15 anos de música eletrônica nas costas, o drumba está no meu coração hoje. Mas se ele disser pra eu mudar de estilo, eu mudo", diz rindo o simpático DJ. Ele talvez não leve em consideração agora as pistas que anima na SuperQuinta, ou que fecha o line up da Subgrave na Neo. E largar o drum'n bass é a coisa que eu mais duvido em Nando Barth.





SUPERQUINTA DRUMBASS é a nova opção dos drumbeiros gaúchos - 12.02.03
por DaNa
originalmente publicada em www.poavibe.com.br

Falo com carinho da SUPERQUINTA DRUMBASS porque é um projeto que nasceu da necessidade de se escutar drumba. Neste verão, ficamos sem Subgrave em Porto Alegre. Há tempos não se tem mais uma Quarta Quebrada. Numa filosofia "Faça você mesmo", resolvi tocar esse projeto ao lado de Nando Barth.

Procurávamos um lugar inédito que tivesse uma cara de Garagem Hermética nos seus primórdios. É impressionante como o pessoal underground de Porto Alegre gosta deste clima meio "podrão". Cheguei a três lugares, um deles as Catacumbas do CEUE, mas lá descobri que eles odeiam música eletrônica. Cabeça de engenheiro nerd é isso aí.

Por indicação de um pessoal da minha faculdade, a Fabico, fui a mais duas casas. Uma está no bolso pra uma outra festa que vai virar projeto em março e a segunda foi a Casa Amarela. Ali é um estúdio durante o dia, onde bandas fazem ensaios e acontecem festas freakies durante a semana.

A SUPERQUINTA é pra um pessoal que conheci na Subgrave e que curte muito drum'n bass assim como eu. O dj Nando Barth me dá um suporte na parte técnica e o line up é composto por djs da cidade. Uns quatro djs de outros Estados já nos escreveram afim de tocar na SUPERQUINTA mas, por enquanto, não temos como cobrir.

Estou nessa pela diversão, curtindo horrores essa de organização de eventos. Coloco em prática muita coisa que aprendi na faculdade e faço festa pros meus amigos. Claro que, muitas vezes, me incomodo muito principalmente com pessoas com ego lá em cima. Mas não dá nada, quando achar que já conheci tudo, parto pra outra aprendizagem.

E esse clima de diversão tomou conta da SUPERQUINTA e da galera que freqüenta. Pessoas legais e bonitas que realmente não têm opção em Porto Alegre fora festinhas esporádicas no nosso querido Ocidente e o som de alguns djs de drumba perdidos no line up de outras festas, fazem parte do público dessa festa.

Ficou curios@? Te manda pra Casa Amarela (Felipe Camarão, 266 quase esquina Vasco da Gama) nesta quinta-feira, 13 de fevereiro. Estarei trabalhando na porta. Você vai conferir os produtores ORGANIZERS (dos irmãos Nes e André Cardoso), o super dj de drumba da cidade Navarro, o recém chegado e com um som muito fino Luciano Peixoto e o meu parceiro de produção técnica Nando Barth, que diz que vai tocar num clima trance'n bass.

A gente se vê por lá!





Drumba para as Massas (coluna DaNa's Song's) - 23.02.03
por DaNa
originalmente publicada em www.poavibe.com.br

Drumba para as Massas

Drumba para as Massas foi um marco para a renovação do público drumbeiro da capital. Tratava-se de uma festa organizada pelos ORGANIZERS, então assinando Família da Coisa, e o dj Marcelo Firpo no final de 2001, no velho e bom Garagem Hermética.

Nesta época, a new generation na faixa dos 16-22 anos se antenava para as já consagradas Quartas Quebradas com os djs gaúchos Dani Breaks, Antônio Navarro, Adriano Fidel e Nando Barth, assim como as visitas dos famosos Marky e Patife.

Esse público curioso e novo foi cativado pelos sets vibrantes de Carlos NC nas Fulltronics e sua residência no Mingau, assim como pelo empurrãozinho que o Cardoso (da ORGANIZERS) deu, mesmo que não sabendo, ao divulgar o estilo no seu antigo e-zine Cardoso On line para seus quase 5 mil assinantes.

A partir daí, o projeto quinzenal Subgrave juntou na Neo todos os nomes possíveis do drum'n bass da capital e fez periodicamente os velhos e novos freqüentadores curtirem noites inesquecíveis de puro drum'n bass. A convivência fez amigos e eu nunca vi o club com tanta cara de "clube" como nestas festas.

Em certa ocasião, o redator publicitário Marcelo Firpo, no auge de sua paixão pelo jungle e MCs, resolve pedir demissão da agência em que trabalhava e ir para Londres comprar vinis. Volta para Porto Alegre numa festinha memorável: "Firpo is Back".

E em 2003, os djs de drum'n bass surgem como um dos grupos mais organizados da capital. A união traz a força e mesmo assim as características individuais, do set à técnica, se sobressaem a cada festa, dando a oportunidade para o público identificar os seus djs preferidos.

Quem são eles? Fidel, Dani Breaks, Luciano Peixoto, Carlos NC, Navarro, Nando Barth, Cássio, Marcelo Firpo, ORGANIZERS (irmãos Cardoso e Nes) e Krás. Dá pra encher uma mão, hein? Decore estes nomes e quando vir algum deles no line up de uma festa, te joga!

Você não acha que Porto Alegre tem toda a cara do drum'n bass? Metropolitana, rápida mas orgânica e incerta. Faça as batidas quebradas a sua trilha sonora e acompanhe os eventos e festas deste estilo. Estarei aqui, no Poa Vibe, dando todo apoio possível, pra que o drumba, enfim, decole na capital dos gaúchos!

Na próxima coluna, estarei dando dicas para você se inteirar sobre o mundo drum'n bass em Porto Alegre.





Entrevista com o dj carioca Fábio Machado - 20.04.03
por DaNa
originalmente publicada em www.poavibe.com.br

O evento de lançamento do Gol Trip em Porto Alegre trouxe a banda de drum'n bass Zé Maria de Vitória-ES aos pagos em março passado. Este mês foi a vez do Cocacola Vibe Zone agitar os drumbeiros de plantão com o DJ Fábio Machado e o MC Mário Z do Rio de Janeiro.

Com o suporte dos DJs gaúchos Marcelo Firpo, Nando Barth e os produtores ORGANIZERS, a dupla conseguiu marcar outras datas por aqui e fez apresentações no Mingau, Elo Perdido, Neo, Liquid e na SUPERQUINTA.

Os caras amaram a nossa hospitalidade e o nosso pequeno circuito drum'n bass "que está em expansão mas tem que se articular" segundo o DJ Fábio Machado. Nós tivemos a oportunidade de conferir um drum'n bass mais pesado e groovado e a apresentação de um MC - o que é raro na nossa cena.

Fábio Machado, antes de ir embora, concedeu uma mini-entrevista ao Poa Vibe. Confira abaixo.

O drum'n bass de Fábio
Meu drum'n bass é clássico. Apesar do drum'n bass ser tudo ao mesmo tempo agora, o meu estilo é mais pesado, mas com mais groove e mais black. Não é sintético como o drum'n bass do Mario Bros ou Lúcio K do Rio.

Selo Urban Takeover
Eu represento o selo londrino Urban Takeover no Brasil. Eles me mandam os vinis white label (não lançados ainda), de dez a onze por mês para testar na galera do Rio de Janeiro. Mas toco outros selos também. Conheci esse pessoal na EcoSystem (um dos maiores eventos de música eletrônica do mundo, que acontece em Manaus).

Cena Rio
A cena de drum'n bass se tornou mais forte há uns 2 anos pra cá. Trata-se de um público mediano de mais ou menos 1600 pessoas. Mistura a playbozada no Palácio da Quitanda. A Cool Produções também é responsável por isso, eles adotaram a idéia da música eletrônica. Petrópolis que é uma cidade provinciana, estourou o drum'n bass lá porque o clima ajuda. Uma música com 180 batidas, a galera quer pular pra se aquecer. Lá ajudou o clima mais frio e uma cultura européia. Por isso que o drum'n bass tem tudo pra dar certo aqui em Porto Alegre.

DJs drum'n bass Rio
O pessoal da antiga são os djs Carlos Albuquerque, Dalua, Yanay, Mário Bros, Lucio K, Tai'head e o Shitomi que veio do Japão, entre outros. O DJ Nay é um destaque da nova geração. É complicado o pessoal se unir lá. Uns querem ser pop star e os mais antigos doutrinam a galera mais nova e seguem seu caminho. Eu sou tipo um pastor pra galera se unir.

O pop do Rio
Trance no Rio está pop agora. A galera under está meio triste. Alien Project está tocando na Jovem Pan. Um amigo teu de uma classe social maior, mas uma alma boa, te pergunta se tu conhece Alien Project... Eu sou a favor do lado comercial estourar e pra galera consumir. É melhor pra música eletrônica, mas as coisas não podem ser deturpadas.

Ilha do Governador
Sou da Ilha do Governador, zona norte. Agora meus amigos de lá começam a entrender a minha vida. Quero começar a fazer uma coisa forte lá. Para alastrar depois pra Zona Sul (zona dos Playbas). Todos tem que ter acesso ao drum'n bass.

MC Mário Z
O MC está inserido na cultura drum'n bass. Conheci o Mário Z num churrasco de playba na Ilha do Governador. Nessa época, eu já comprava discos. Tocava UK garage. O Mario Z me convidou pra ir pra Lounge, e eu tinha quatro discos de drum'n bass. Cheguei lá, troquei uma idéia. Eles perguntaram se eu estava afim de tocar. Falei que sim, na humildade.O Mário Z começou como MC em 97 e sempre tocamos juntos.

Futuro
Estou começando a produzir com as pessoas. Trabalho de leve com o Acid X, colocando loops e mexendo na programação. Em maio vai sair um CD meu a ser lançado no MADA (Música Alimento da Alma) em Natal. Depois da Ecosystem do ano passado, não parei mais. Brasília, Porto Alegre... Tinha vindo em 2002 para um congresso de Economia com as picapes debaixo do braço. Daí conheci a cena gaúcha.

O drum'n bass gaúcho
A cena daqui é forte, só que tem que se estruturar mais. Conversar mais. Os mais novos ouvirem os mais velhos. Quem sabe um churrasco ou uma roda de mate possa resolver isso? Se cria uma cena conversando e não brigando.

É isso ai, Fábio. Ficaremos com saudade.


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